Pesquisa da ManageEngine revela que o Brasil ainda busca valor com a IA

A transformação digital avançou, mas ainda está longe de ser concluída. Se, nos últimos anos, as empresas concentraram esforços na migração para a nuvem, na digitalização de processos e na modernização da infraestrutura, agora o desafio é mais complexo: integrar inteligência artificial, dados e operações de forma segura, governada e alinhada aos objetivos do negócio.

É o que revela a pesquisa Digital Transformation Landscape Latin America 2026, da ManageEngine, divisão da Zoho Corporation, que analisou as prioridades e os desafios das organizações latino-americanas diante do avanço da IA. Realizada com mil decisores de TI e de negócios no Brasil, no México, na Colômbia, no Chile e na República Dominicana, a pesquisa mostrou que apenas 14% das organizações da região já operam no estágio mais maduro da jornada, aquele em que a IA coordena sistemas, dados e processos de ponta a ponta.

O Brasil apresenta um dos cenários mais avançados da região, mas, ao mesmo tempo, enfrenta um problema que pode comprometer o avanço: a complexidade crescente do ecossistema tecnológico. E há um paradoxo que resume bem o momento: enquanto 93% dos líderes latino-americanos dizem que seu ambiente está preparado para adotar e escalar IA, 62% das empresas brasileiras ainda não conseguem transformar esse investimento em valor de negócio.

Essa pesquisa exclusiva ajuda a entender uma questão cada vez mais relevante para CIOs, CTOs e demais lideranças. Não basta estar preparado para a IA; é preciso criar as condições para que ela gere valor de forma segura, integrada e mensurável. Veja o que a pesquisa revelou.

Brasil enfrenta o desafio da fragmentação tecnológica  

O Brasil se destaca na América Latina pelo avanço em direção a modelos mais maduros de transformação digital. Mas esse cenário convive com desafios estruturais que dificultam a evolução em escala.

Segundo a pesquisa, 54% das organizações brasileiras utilizam entre 11 e 25 soluções pontuais diferentes, o que indica um ambiente tecnológico cada vez mais diversificado e também mais complexo de administrar.

A  fragmentação tecnológica não representa apenas um problema operacional. Ela também afeta a capacidade de integrar dados, processos e aplicações. Afinal, quanto mais ferramentas em uso, maior tende a ser o esforço para gerenciar integrações, acessos, informações e fluxos entre diferentes ambientes. O próprio levantamento mostra que 71% dos entrevistados brasileiros afirmaram que a proliferação de ferramentas aumentou a complexidade nos últimos dois anos.

Paradoxo brasileiro: o orçamento preso na manutenção  

A complexidade também aparece na distribuição dos investimentos. No Brasil, 63% dos entrevistados disseram que o orçamento é direcionado mais para manutenção do que para inovação, enquanto 21% indicaram equilíbrio entre as duas frentes e apenas 16% afirmaram investir mais em inovação.

Na prática, quando uma parcela significativa do orçamento de TI é consumida pela manutenção de ambientes existentes, sobra menos espaço financeiro e operacional para projetos estratégicos.

O problema cria um ciclo:

Por isso, a transformação digital passa a exigir não apenas novos investimentos, mas também uma estratégia de simplificação e integração do ecossistema tecnológico.

Cibersegurança é prioridade para 45% das empresas brasileiras

A cibersegurança aparece como uma das principais prioridades da transformação digital no Brasil, citada por 45% dos entrevistados. O dado reflete a necessidade de fortalecer a proteção à medida que as empresas ampliam seus ambientes digitais, com mais aplicações, usuários, dispositivos e dados distribuídos.

A preocupação é reforçada pelo cenário de ataques: 56% dos entrevistados brasileiros afirmaram que suas organizações sofreram mais ataques bem-sucedidos em 2025 do que nos anos anteriores.

62% das empresas ainda não conseguem provar o valor da IA  

Talvez o maior paradoxo identificado pela pesquisa esteja relacionado à inteligência artificial. Em toda a América Latina, 93% dos tomadores de decisão consideram que seu ambiente tecnológico atual está preparado para adotar e escalar IA.

O Brasil acompanha essa confiança na capacidade tecnológica. Mas existe uma diferença importante entre estar preparado para implementar IA e conseguir gerar retorno com ela.

61% dos entrevistados latino-americanos revelaram ter dificuldades para transformar investimentos em IA em valor comercial mensurável. No Brasil, o índice chega a 62%. Ou seja, existe uma distância entre adoção e impacto.

A organização pode possuir infraestrutura moderna, acesso a ferramentas de IA e profissionais capacitados. Ainda assim, isso não garante que os investimentos estejam produzindo resultados concretos para o negócio.

As principais barreiras identificadas na região ajudam a explicar o problema:

  • 19% apontam retornos relacionados a segurança e conformidade;

  • 17% citam a falta de profissionais qualificados em IA e dados;

  • 15% apontam casos de uso pouco claros ou dificuldade de medir o ROI.

Para a liderança enterprise, isso significa que o debate sobre IA precisa avançar de “qual ferramenta utilizar?” para “qual problema de negócio estamos resolvendo e como vamos medir o resultado?”

Shadow AI aumenta a preocupação das empresas brasileiras

No Brasil, 74% dos entrevistados demonstraram preocupação com o risco de vazamento de dados provocado pelo uso de ferramentas de IA generativa não autorizadas por funcionários. O avanço do chamado Shadow AI mostra que a adoção da tecnologia nem sempre acontece pelos canais oficiais da empresa, aumentando os riscos relacionados à exposição de informações corporativas, dados sensíveis e propriedade intelectual.

Lidar com esse cenário envolve definir quais aplicações podem ser utilizadas, estabelecer políticas de acesso e uso de dados e criar mecanismos de monitoramento que permitam ampliar a adoção da inteligência artificial sem comprometer segurança e controle.

Próxima etapa da transformação digital: o que esperar?

Os dados da pesquisa da ManageEngine comprovam que a transformação digital entrou numa fase em que complexidade e integração viraram questões estratégicas. Para as empresas brasileiras, o foco agora é fazer com que sistemas, dados, aplicações e processos trabalhem de forma conectada, reduzindo silos e facilitando a gestão do ambiente tecnológico.

A orquestração entre sistemas ganha importância justamente por permitir uma visão mais integrada das operações e mais capacidade de automatizar fluxos, compartilhar informações e responder rápido às necessidades do negócio. Mais do que substituir tecnologias existentes, trata-se de conectar o ecossistema atual e criar uma arquitetura preparada para evoluir com a IA.

Por isso, as plataformas unificadas ganham espaço como uma alternativa para reduzir parte da complexidade apontada pela pesquisa. Ao reunir aplicações, dados, integrações e recursos de inteligência artificial em um mesmo ecossistema, elas podem simplificar a gestão, reduzir a dependência de múltiplas integrações e ampliar a governança sobre o ambiente tecnológico. O ecossistema da Zoho segue justamente isso ao conectar diferentes áreas da operação em uma plataforma integrada, criando uma base mais consistente para incorporar IA generativa e agentes aos processos do negócio.

A inteligência artificial pode acelerar esse processo, mas o seu potencial depende de uma base estruturada. Assim, a maturidade digital passa a estar menos ligada à quantidade de tecnologias adotadas e mais à capacidade de transformar todo o ambiente tecnológico numa estrutura integrada, escalável e orientada a resultados.

Clique aqui e confira a pesquisa completa da ManageEngine.

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