Maturidade digital no Brasil: o que os dados da pesquisa Zoho Workplace revelam sobre as empresas no país

A narrativa dominante sobre transformação digital no ambiente corporativo brasileiro é otimista: a pandemia como acelerador, empresas adaptadas, novos modelos de trabalho consolidados. Os dados da pesquisa Zoho Workplace 2025, conduzida com mais de 4.900 profissionais em diferentes países, incluindo mais de 350 respondentes no Brasil, contam uma história mais complexa.
O Brasil ocupa uma posição intermediária no mapa global de maturidade digital corporativa, atrás do Oriente Médio e da África, com 64,6% em estágios intermediários ou avançados, e da Ásia e Pacífico, com 63,2%.
Para líderes que acompanham a competitividade do mercado brasileiro, esse dado merece atenção. Maturidade digital não é só uma métrica interna. Ela determina a velocidade de tomada de decisão, a resiliência operacional e, crescentemente, a atratividade da empresa para talentos e parceiros estratégicos.

O modelo de trabalho como indicador, não como causa
A pesquisa também identificou uma relação entre o modelo de trabalho e a maturidade digital. Empresas 100% remotas alcançaram 63,5% nos estágios mais avançados de maturidade, enquanto organizações totalmente presenciais registraram 59,7%. No entanto, essa diferença não significa que o trabalho remoto seja o responsável pela transformação digital.
O dado sugere que empresas mais maduras digitalmente conseguem sustentar modelos de trabalho mais flexíveis porque já possuem processos integrados, infraestrutura tecnológica e práticas de colaboração consolidadas. .
Na prática, ambientes remotos foram laboratórios compulsórios durante a pandemia. Quem operou à distância a partir de 2020 precisou resolver, sob pressão de tempo, problemas que empresas presenciais conseguem contornar com proximidade física: gestão de versões de documentos, comunicação assíncrona estruturada, controle de acesso e visibilidade compartilhada de projetos. A maturidade digital de empresas remotas é, em parte, resultado de problemas que precisaram ser resolvidos para que a operação simplesmente continuasse.
Para líderes de organizações presenciais ou híbridas, isso levanta uma questão estratégica relevante. A ausência de pressão imediata não é razão para postergar investimentos em integração digital. É justamente onde o gap começa a se abrir em relação a competidores que já operam com maior fluidez tecnológica e não precisam resolver esses problemas às pressas.

Quando o risco de segurança vira questão de governança
Os dados de segurança são os mais preocupantes da pesquisa, e merecem ser lidos com o peso que têm fora do contexto de TI.
Uma parcela relevante de 41% das empresas brasileiras pesquisadas não possuem mecanismos ativos para lidar com ameaças cibernéticas. Apenas 16% implementam alertas avançados para e-mails suspeitos. Menos de um terço utiliza ferramentas de gerenciamento de senhas.
Em um ambiente regulatório que inclui a LGPD, com sanções que podem chegar a 2% do faturamento bruto anual, esses números não são apenas desafios operacionais de TI. É uma questão de governança corporativa. Conselheiros, executivos de nível C e times jurídicos precisam entender que a ausência de mecanismos básicos de segurança representa exposição regulatória e reputacional mensurável.
O e-mail corporativo continua sendo o principal vetor de entrada de ataques sofisticados. Quando 84% das empresas não têm alertas avançados para e-mails suspeitos, a primeira linha de defesa passa a ser o julgamento individual de cada colaborador (clica ou não clica). Para qualquer organização com centenas ou milhares de funcionários, essa é uma aposta alta demais.
Por que o gargalo raramente é tecnológico
Fernanda Bordini, Head de Marketing da Unidade de Negócios de Colaboração da Zoho Brasil, identifica um aspecto que os dados confirmam: "o Brasil possui um grande potencial para progredir, porém ainda lida com desafios, principalmente na unificação de ferramentas colaborativas e na implementação de protocolos de segurança. Com a adoção de novas tecnologias e práticas eficientes, é possível otimizar processos com ferramentas unificadas e acessíveis, desmistificando a crença de que, para estar na dianteira da transformação digital, é preciso um alto custo."
O ponto sobre custo é revelador porque a relação entre investimento e resultado em transformação digital raramente é linear. Organizações que acumulam soluções pontuais para cada problema frequentemente gastam mais do que aquelas que operam sobre plataformas integradas, mas com menor visibilidade e coerência entre sistemas. O gargalo não é falta de tecnologia. É fragmentação.
Cada sistema adicional sem integração gera uma nova fronteira onde dados se perdem, processos dependem de intervenção manual e decisões são tomadas com visibilidade parcial. Esse custo não aparece em nenhum contrato de software, mas ele existe na forma de tempo, retrabalho e oportunidades que passam sem serem capturadas.
O que separa empresas que avançam das que estagnam
A pesquisa revela, pela análise comparativa dos estágios mais avançados, um padrão que vai além de quais ferramentas as empresas usam. Organizações com maior maturidade digital tomaram decisões arquiteturais distintas: centralizaram a colaboração em plataformas unificadas em vez de acumular ferramentas por área; implementaram segurança como infraestrutura em vez de resposta a incidentes; e trataram dados como ativo estratégico compartilhado, não como propriedade de cada departamento.
Essas não são decisões de TI. São decisões de negócio que refletem prioridades definidas no nível de liderança. A transformação digital que realmente muda o desempenho de uma organização começa quando ela para de ser um projeto com prazo e passa a ser uma forma de operar.
A integração como condição, não como benefício adicional
O Zoho Workplace parte da mesma premissa que os dados validam: integração entre ferramentas não é um diferencial opcional, é a condição para que a transformação digital produza resultado. Comunicação, colaboração em documentos, armazenamento, videoconferência e intranet corporativa operam sobre uma base comum, com uma única camada de segurança, permissões e governança de dados.
A inteligência artificial da Zoho, nativa ao ecossistema, atua sobre os dados que já existem na operação da empresa. Ela não precisa ser alimentada com informações externas nem integrada por API a sistemas separados. Ou seja, já conhece os padrões de comunicação da equipe, os documentos em uso, os projetos em andamento. Essa é a diferença entre uma ferramenta de IA adicionada sobre uma operação e uma inteligência que parte do contexto real do negócio por fazer parte da mesma stack de tecnologia.
Para organizações que querem avançar de forma objetiva na jornada de maturidade digital, o ponto de partida não é encontrar mais uma ferramenta. É decidir que a fragmentação tem um custo alto o suficiente para justificar uma mudança de arquitetura.



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