Inovação travada? Pesquisas do Zoho Workplace expõem o impasse digital das empresas brasileiras

A pesquisa Zoho Workplace 2025, com mais de 4.900 profissionais em diferentes países e mais de 350 respondentes no Brasil, documenta onde as empresas brasileiras estão na jornada de maturidade digital: atrás do Oriente Médio e da África, com 64,6%, e da Ásia e Pacífico, com 63,2%, e com apenas 41% das empresas no nível intermediário de adoção tecnológica.

Já a pesquisa CIO do Futuro, conduzida em março de 2026 com ldieranças de TI no Brasil, revela o porquê. 83,7% dos CIOs já adiaram projetos estratégicos por restrição orçamentária. Em muitos casos, o executivo de tecnologia evita até levar novas propostas ao board, antecipando a reprovação.

Lidos juntos, os dados formam um diagnóstico mais completo do que cada pesquisa consegue oferecer separadamente. O Brasil não está atrás por falta de clareza sobre o que precisa ser feito. Está atrás porque o ambiente em que as decisões são tomadas conspira contra a inovação.

O CIO entre a prioridade e o orçamento  

A demanda por transformação digital não desapareceu dos planos estratégicos das empresas brasileiras. Mais de 60% dos CIOs entrevistados apontam inteligência artificial para produtividade como prioridade para 2026. Outros 58,3% colocam eficiência operacional no topo da lista.

O problema está do outro lado da mesma equação. Metade das empresas reporta orçamentos estáveis ou em queda. O que significa que o executivo de tecnologia enfrenta, simultaneamente, a pressão para inovar e a impossibilidade de financiar a inovação.

Luiz Adolfo Gruppi Afonso (Laga), ex-CIO e conselheiro de empresas de tecnologia, descreve o resultado: "O CIO está operando sob um novo tipo de risco: não é apenas errar na escolha tecnológica, mas errar na priorização financeira. Isso faz com que muitos projetos sequer cheguem à mesa de decisão."

O efeito prático é uma seleção adversa de iniciativas. Projetos com maior impacto potencial, mas com propostas de investimento mais robustas, são substituídos por iniciativas de menor porte e maior previsibilidade de aprovação. A empresa avança, mas mais devagar do que a estratégia exigiria.

O que o Shadow IT revela sobre o custo real da fragmentação  

Quando a padronização digital não avança por falta de orçamento aprovado, ela é substituída por soluções que o orçamento formal não controla.

A pesquisa CIO do Futuro mostra que 44% das empresas com filiais operando fora do padrão corporativo identificaram uso de e-mails pessoais para fins profissionais. O comportamento não é descuido. É adaptação a um ambiente onde as ferramentas aprovadas não cobrem adequadamente as necessidades da operação.

As consequências são mensuráveis. Empresas com ambientes não padronizados apresentam taxa de 22% de incidentes envolvendo contas externas ou pessoais. Em organizações com ambientes padronizados, esse índice cai para 9,1%. A diferença não é marginal. É o custo oculto da fragmentação.

Fernanda Bordini, Head de Marketing da Unidade de Negócios de Colaboração da Zoho Brasil, afirma que "o maior erro das empresas hoje é acreditar que segurança começa na tecnologia. Na prática, ela começa na disciplina operacional. Se cada área usa uma ferramenta diferente, não existe controle possível."

E esse risco não precisa de um atacante externo para se materializar. Ele existe sempre que um colaborador resolve um problema de trabalho com uma conta de e-mail pessoal.

O paradoxo do orçamento enxuto  

O raciocínio que justifica a postergação de investimentos em tecnologia é, em geral, o seguinte: com orçamento restrito, é melhor não comprometer recursos com projetos de grande porte. As equipes vão se virando com as ferramentas disponíveis.

Os dados desafiam essa lógica. A pesquisa Workplace 2025 mostra que 41% das empresas brasileiras sequer implementam mecanismos básicos de resposta a ameaças cibernéticas. Apenas 27% usam ferramentas de gerenciamento de senhas. Enquanto isso, 83,7% dos CIOs já viram projetos estratégicos serem adiados por pressão orçamentária.

O que esse conjunto de números descreve não é austeridade bem gerida. É postergação de custo. Cada incidente decorrente de shadow IT, cada hora perdida em retrabalho causado por sistemas que não se integram, cada decisão tomada com dados incompletos por times operando em silos — esse custo não aparece no orçamento de TI, mas existe no resultado da empresa.

Quando a liderança é o ponto de virada  

Fernanda Bordini resume o efeito do cenário atual sobre o papel do CIO: "A gente está vendo um executivo que pensa duas vezes antes de propor inovação. Não por falta de visão, mas por antecipar a resistência. Isso muda completamente o ritmo de evolução das empresas."

Os dados também indicam onde está a saída. Organizações que avançam em maturidade digital partilham uma característica: fizeram escolhas de arquitetura que reduziram a fragmentação em vez de adicionar ferramentas sobre ferramentas. Consolidar comunicação, colaboração e segurança em uma plataforma integrada não é apenas mais barato no longo prazo. É o que torna a segurança padronizável e a inovação justificável ao board.

A plataforma que parte do que já existe  

O Zoho Workplace foi desenhado para responder a esse contexto: empresas que precisam avançar sem ampliar a complexidade ou o custo de gestão de sistemas. Comunicação, documentos, videoconferência, armazenamento e intranet corporativa sobre uma base única, com uma camada compartilhada de segurança, permissões e governança de dados.

A inteligência artificial da Zoho, nativa ao ecossistema, opera sobre os dados que a empresa já possui. Ela não exige um novo projeto de implementação, uma nova base de conhecimento ou uma integração adicional. Parte do contexto que já existe: os padrões de comunicação da equipe, os documentos em circulação, os projetos em andamento.

Para CIOs que precisam justificar investimentos com menos margem de erro, essa arquitetura reduz tanto o custo de adoção quanto o risco de aprovação. O projeto que chega ao board não precisa mais ser de grande porte para ser estratégico.

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